Há séculos que se olham
Porto e Vila Nova de Gaia.
Namoram sobre Douro debruçadas
amam aromas que dormem
longo sono embarcado dos barris
Há séculos néctar corre
como rio imperecível
do coração da uva para as caves
onde apura, encorpa-se
divo Vinho do Porto.
Vinda das várzeas do Douro
uvas-serpentes esféricas
migram para lagares onde fremem
em silencioso tumulto
até que o mosto do outono floresça
até que as vindimas de setembro
se abram em alegria rubra
para que eu te ofereça
um cálice súbito de lágrima
Maria de Lourdes Hortas.






