ao vinhateiro José Gualberto
No vinho sagrados ungüentos habitam
aos lábios as devidas orgias
no vinho cavalos rubros e bruscos luzem
as beiras do cálice gritam
touros trácios apunhalam a taça
labirintos afiam suas sombras no trago
cavalgam relâmpagos súbitos
sucumbem abismos brancos
no vinho brilha orgasmo do mosto
música aquática das castas paira
perambulam ébrias partituras tintas
dançam velozes abelhas róseas
iguala à sinfonia das esferas
na borda do lábio êxtase vinho






