Do silêncio das estrelas calmas
caindo de um céu aberto a perdão
estendido sobre páramo urbano (recolho)
rumor de um regato sem ventre
pousado nos olhos atirados
como violento mar ímpio
à calmaria da estrela
lua a espreitarmos (poeta e leitora)
como chama de bruma
ou rosto de lápide
solidão alastrando-se
pelos cínicos mosaicos
face móvel do homem
Anjos erguendo-se das últimas ruínas
vida dolorosamente a cantar áridas impuras
odes desoladas do chão da página
vômito de verbo sem dentes
ante esse quadro de palavras também cínicas
um lugar mais longe (como o eterno)
meu inóspito espírito recebe
o objeto viver e o abandona
no primeiro bar da mente aberto
a imperdoáveis visões (de círios?)
o abandona para melhor ver-se
reflexo e vivo
do lume das estrelas cínicas
esclarecido.
Cães latindo inutilmente a luas
chacais no regozijo da entranha
vítimas impiedosas do mundo sem Deus
Fulgor de um vulcão do sangue
terra rubra da dor
ritos da vida devassos
certezas mutilando-se
moribundo ser
destroços da luz nos olhos
nuvens boiando nuas do céu negro
claridade em ruína
clamor da face muda
mordido de sombras vis.
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