06
Seg, Abr

destaques
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Do silêncio das estrelas calmas

caindo de um céu aberto a perdão

estendido sobre páramo urbano (recolho)

rumor de um regato sem ventre

pousado nos olhos atirados

como violento mar ímpio

à calmaria da estrela

lua a espreitarmos (poeta e leitora)

como chama de bruma

ou rosto de lápide

solidão alastrando-se

pelos cínicos mosaicos

face móvel do homem

Anjos erguendo-se das últimas ruínas

vida dolorosamente a cantar áridas impuras

odes desoladas do chão da página

vômito de verbo sem dentes

ante esse quadro de palavras também cínicas

um lugar mais longe (como o eterno)

meu inóspito espírito recebe

o objeto viver e o abandona

no primeiro bar da mente aberto

a imperdoáveis visões (de círios?)

o abandona para melhor ver-se

reflexo e vivo

do lume das estrelas cínicas

esclarecido.

Cães latindo inutilmente a luas

chacais no regozijo da entranha

vítimas impiedosas do  mundo sem Deus

Fulgor de um vulcão do sangue

terra rubra da dor

ritos da vida devassos

certezas mutilando-se

moribundo ser

destroços da luz nos olhos

nuvens boiando nuas do céu negro

claridade em ruína

clamor da face muda

mordido de sombras vis.

{jcomments on}

Murilo Gun

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