Admmauro Gommes
Néstogas:
momentos de êxtase
em transiúnica vida
onde flâmulas cardinais
conjugam o enigma
com flauta e cítara
destilando um mármore audível...
Cordilheiras de sonhos se erguem
qual flecha de fogo gélido
inflamando os tímpanos.
As néstogas, ou seja,
ogivas de pêssego
que invadem o absoluto
numa mensagem inequívoca
fazem brotar lágrimas visíveis
de um olho cego.
Brisa palpável, aroma de mútilas
sentido febril ao doce olfato.
Enfim, néstogas:
o íntimo do átomo.
“O tempo negava num rio de esperança”. Admmauro Gommes
Este poema foi resposta
do próprio AG, ao tentar
explicar a seus leitores
castos a palavra Néstogas
inserida no poema publicado
em PAPELJORNAL, edição zero da revista.
RESPOSTA DE VCA
Sagotsén tem sido AG
em momentos de água (lustral)
quando irrompe com a palavra
de dentro da página
e arrebata do verbo o barro
e a vertigem
transferindo ao papel a alma.
As gélidas cordilheiras
de seu fogo metafísico
ardem como néstogas
(ou lágrimas crocodílacas)
se apossando dos rostos ou espíritos
da planície nua e intacta
como asa nefelibata e
sobre relva pasto de musa arcaica
edifica a palavra.
Eis que urge
quilha da palavra apontar
aos sedentos aquerontes do leitor absoluto
a navegar o áspero e sêmico
rio da desesperança
gota a gota anca a anca
para colher em cada rumo d’água
a lâmpada da exegese embaciada
porém bem postada na gávea.






