06
Seg, Abr

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Admmauro Gommes 

Néstogas:

momentos de êxtase

em transiúnica vida

onde flâmulas cardinais

conjugam o enigma

com flauta e cítara

destilando um mármore audível...

 

Cordilheiras de sonhos se erguem

qual flecha de fogo gélido

inflamando os tímpanos.

 

As néstogas, ou seja,

ogivas de pêssego

que invadem o absoluto

numa mensagem inequívoca

fazem brotar lágrimas visíveis

de um olho cego.

 

Brisa palpável, aroma de mútilas

sentido febril ao doce olfato.

 

Enfim, néstogas:

o íntimo do átomo.

“O tempo negava num rio de esperança”.  Admmauro Gommes

 

Este poema foi resposta

do próprio AG, ao tentar

explicar a seus leitores

castos a palavra Néstogas

inserida no poema publicado

em PAPELJORNAL, edição zero da revista.

 

RESPOSTA DE VCA

 

Sagotsén tem sido AG

em momentos de água (lustral)

quando irrompe com a palavra

de dentro da página

e arrebata do verbo o barro

e a vertigem

transferindo ao papel a alma.

 

As gélidas cordilheiras

de seu fogo metafísico

ardem como néstogas

(ou lágrimas crocodílacas)

se apossando dos rostos ou espíritos

da planície nua e intacta

como asa nefelibata e

sobre relva pasto de musa arcaica

edifica a palavra.

 

Eis que urge

quilha da palavra apontar

aos sedentos aquerontes do leitor absoluto

a navegar o áspero e sêmico

rio da desesperança

gota a gota anca a anca

para colher em cada rumo d’água

a lâmpada da exegese embaciada

porém bem postada na gávea.

 

 

 

Murilo Gun

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