O texto é livre, a vida presa do instante que é
o nada verdadeiro. Como a circulação do
sentido bloqueada é o percurso da palavra
na página (e na alma), o que traduz só a
nova e velha luta pela expressão da liberdade
em forma de veraz realidade inóbvia.
Sob peso do êxtase ser desaba
entre o instante e a palavra esvai-se a eternidade.
E um mar de sentidos hesita.
A onda odeia a água.
Tudo é fragmentos do todo.
O mundo é um texto (difícil e trêmulo).
O romance da vida a morte finaliza.
Tudo é uma máscara sem rosto. Talvez.
A morte é o rosto do amor. Talvez.
É o amor labirinto sem nome?
Muro desmoronado? Ruína do ardor?
Somos (és, principalmente) trânsito.
Trânsito do nascemorre irreptível, irrestaurável,
definitivo. Eterna é a morte.
Confinados na vida (paredes sem alma)
consumindo tempo continuamente
a alimentar esfomeada alma de banalidades
sem data, de meadas sem volta.
Pois o eterno não retorna.
Como lucidez é ilusão azul e a imaginação
estertora, somos bolotas.
Nem ao menos rumores da realidade percebemos
em nossa impassibilidade benigna perante a vida.
De diálogo estranhos desguiamos.
De fundo, silêncios bloqueamos, sempre, entre
a vileza e o vazio não decidimos, somos só carne
talvez restos ou cinzas de alma acumulemos
detritos de alguma estrela.
Na veia, fermenta o fim, a ameia cede, o
sangue muge, a dor é uma princesa e o
escuro acampa no ser com ímpeto impróprio.
Crepita a labareda do labirinto como oscita
as luzes do candelabro da tempestade.
Rosa encardida respira na pala cardeal, sinal
de que o mundo tende a terminar só para
os homens de boa ou má vontade.
E só resta render juros à dúvida
e ao valor inexpugnável das minúcias dedicar
a vida ou o que seja.
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