As referências e os sentidos (tais e quais) dos poemas absolutos estão não nos textos (poemas), mas nos leitores (também absolutos).
Para comprovação, eis o texto Átimo e sítio.
Sítio de instante destituído de tempo e espaço, átimo
de sítio enlouquecendo.
Para a poesia absoluta, só há o será ou só
é o a ver (ou haverá) ou o por vir.
No entanto, há outro tempo em cada poema.
Ou melhor, há três tempos: o que passou, o que já é e o que ainda (?) será.
Há um rio inverso – fluxo desfazendo-se
um rio Otilcareh em quen as águas voltam
eternamente retornam à Foz que foi fonte.
Rio de ilusão fluente e água árida.
Onde está o corpus referencial do texto? Qual lírico cristal bege, está na leitura.
O texto lírico as vezes está permeado por rastros de fuga dos significados crido ao nada. É que o sentido é impermeável às dimensões de tempo e espaço. E sempre está no contexto.
Toda viagem é para o passado porque nela tudo (e todos) passa e é diferente de ir ao futuro, não em futuro em forma de viagem, mas em postura de imobilidade ativa.
O texto lírico hoje há de evitar toda a superposição do tempo e toda sobre exposição do espaço em seus impassíveis referenciais.
Entre as duas estações do passado e do futuro o trem do presente faz escada sempre.
E o tempo vindouro é mais severo e o passadouro é meio fantasmal, nada espesso.
Para o poema, uma noite imóvel é vital.
A questão de estar acordado (no e com o poema) é secundária.
Em especial, porque todo poema é labiríntico, sob pena de não sê-lo poema. Somente sombras andantes, talvez. E deve ser absurdo como qualquer labirinto (em que um touro de freta fareja o linho da virgem ática sempre.
Cada poema deve nos (ao poeta) fazer perambular por avenidas áridas de estranhas cidades de palavras plenas de luas (sórdidas ou não) e de luzes avermelhando-se em que ardam vísceras taurinas critenses ou não da vidad cotidiana.
No fim da conta poético, poema é um edifício de silêncio eregido sob gritos extintos. E tudo isso – toda essa ereção – fundado desconcertadamente sobre sistema verbais distanziados de toda e qualquer habitualidade alienante.
Ao final, sobram só os despojos do destino exposto na rude brancura (falsa) da página.
Céu estrelado não sobram, pois o poema os enreda a todos. Em especial, porque todo poema que se preze vai ao fim do tempo (independendo de ultimatos). O texto poético é como se fosse espelho dentro de almas. Gosto de pensar que um verso absoluto paira sobre a página como uma sombra de aminoácidos. E que escrevo exclusivamento sobre o destino das palavras, embora não acredite em sina vital.
Afinal, é bom dizer (?) que não irei ao externo de alguns amigos (amigas amigos, tenho menos de uma dúzia – À inumação destes irei fervorosamente): e que amo cela de mosteiros onde prendo (algemo e gemo como aljava) a solidão, impedindo-a de ir a bares e ruas (e pessoas) que a dilacerão dissolvendo-a.
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