O silêncio ama retiros
desertos de ermitões, privados infinitos
céus imponderáveis, círculos insones
cotas do espírito e épuras
além de quietas malhas de palavras.
O silêncio olha-se soslaio
fixa em espelhos mas detesta gritos de vidro.
Ama poentes mutilados e pontes de vozes
dos ocasos de cores exdrúxulas
se apropria sempre o silêncio.
Às tardes pousadas no cansaço
ressequido do dia
Toda manada de nuvens
espalhadas no prado do céu disparada
como boiada ou coivara
pelo indescritível rebanho do vento.
Quantos hectolitros de água o Atlântico
indaguei-me uma tarde a bordo
do Bleu de France e comecei
a intensa medição com o dedal do verbo
ao longo de 16 dias a peso do olhar
contei o mar (e terminei numa rima).
Rebanhos de água em currais de ondas
léguas líquidas anotadas do convés
incomensuráveis azuis me entendendo os olhos
a olhar o vê do vórtice da proa
me vi imenso no oceano de mim.
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