06
Seg, Abr

Poemas
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O silêncio ama retiros

desertos de ermitões, privados infinitos

céus imponderáveis, círculos insones

cotas do espírito e épuras

além de quietas malhas de palavras.

 

O silêncio olha-se soslaio

fixa em espelhos mas detesta gritos de vidro.

 

Ama poentes mutilados e pontes de vozes

dos ocasos de cores exdrúxulas

se apropria sempre o silêncio.

 

Às tardes pousadas no cansaço

ressequido do dia

Toda manada de nuvens

espalhadas no prado do céu disparada

como boiada ou coivara

pelo indescritível rebanho do vento.

 

Quantos hectolitros de água o Atlântico

indaguei-me uma tarde a bordo

do Bleu de France e comecei

a intensa medição com o dedal do verbo

ao longo de 16 dias a peso do olhar

contei o mar (e terminei numa rima).

Rebanhos de água em currais de ondas

léguas líquidas anotadas do convés

incomensuráveis azuis me entendendo os olhos

a olhar o vê do vórtice da proa

me vi imenso no oceano de mim.

{jcomments on}

Murilo Gun

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