Gesta Pernambucana é um poema longo sobre a epopéia pátria, sobre o nosso maior feito guerreiro e libertário, que foi a insurreição pernambucana, a guerra contra os holandeses.
Sob o comando de Pernambuco, todo o Nordeste lutou e resistiu ao avanço da Holanda em nossas terras. Durante mais de 30 anos, a luta pela liberdade ensangüentou nossos campos e exigiu de nossa gente força e coragem, até que tombassem os batavos nos Montes Guararapes, até que Pernambuco restaurado, na Campina do Taborda, visse baixar a cerviz holandesa, assistisse aos bravos flamengos renderem as armas, estenderem ao chão as insígnias e assinar a rendição, saindo de vez do Brasil para fundar Nova Iorque. E, assim, Pernambuco resgatou a honra do reino português e a dignidade dos brasileiros. A RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA foi um feito que plasmou a nacionalidade, não no sentido abstrato, mas na acepção do sangue, da coragem, da solidariedade, em meio à morte e em plena luta, guerra que garantiu a integridade de nossa religião, cultura, liberdade, território e orgulho, e nos deixou marcas culturais riquíssimas.
GESTA nasceu a partir de uma sugestão da poetisa e pintora LADJANE BANDEIRA. O poema, por encomenda expressa de Ladjane, seria utilizado para ilustrar a segunda edição do Álbum de Ladjane, denominado TRINCENTENÁRIO DA RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA, que ele havia editado em 1954. É um magnífico álbum, totalmente esgotado, só restando hoje dois exemplares: um no Arquivo Público, o qual consultei, sob orientação dela, e outro na Fundação Joaquim Nabuco. Mesmo Ladjane não possui o trabalho. São dez estampas maravilhosas, merecedoras de uma reedição. O projeto de Ladjane era reeditá-lo em dezembro de 1984, mas como não foi possível fazê-lo, ela liberou o poema GESTA PERNAMBUCANA e eu o inscrevi no Prêmio Poeta EUGÊNIO COIMBRA JÚNIOR, da Prefeitura da Cidade do Recife.
GESTA narra os feitos heróicos dos pernambucanos e nordestinos, não com fidelidade à história em si, ou seja, em função da narrativa histórica, mas dando ênfase à emoção histórica, refletindo as mágicas e cruciais imagens que Ladjane capturou. Vai do grito de Ipojuca ao evento da rendição batava na Campina do Taborda, e canta os heróis, seus feitos e episódios da insurreição pernambucana, tendo como fio condutor as estampas do álbum de Ladjane Bandeira. É feito em versos livres, polimétricos. O ritmo é o da emoção que a história heróica de nossa gente deixou no poeta, através da mediação e do espírito pictórico, e da imaginação mágica, da pintora, critica de arte, cronista, poeta LADJANE BANDEIRA. (V.C.A)






